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Velhas, palhaços e a tal da pureza

junho 25, 2010

Hoje pela manhã, duas senhoras americanas acompanhadas por uma tradutora e dois filhotes humanos vieram fazer uma visita na minha escola. Logo depois, apareceu um palhaço muito bem caracterizado que as acompanhava. Resolveram dividir a escola à moda antiga, e por isso mandaram os meninos para o ginásio acompanhados do palhaço e as meninas para o salão de atos acompanhados das singelas vovozinhas. O que aconteceu naquele ginásio será um eterno mistério pra mim, mas eu tenho minhas suspeitas, que eu prefiro não compartilhar. Vou falar sobre o que aconteceu dentro daquele sinistro, grande e gelado salão de atos. Não, não foi um genocídio. Até porque isso não tem nada a ver com aquele caso que aconteceu lá em meados de 2006 em algum país por aí (ver: maluco coloca meninas de frente para a parede e fuzila todas elas. Não me lembro direito do caso porque eu tinha 11 anos. Malvadinho)  e as velhas nem tinham cara de açougueiras. Não, também não fomos abduzidas e submetidas a testes de laboratório para que os alienígenas se aprofundassem no seu conhecimento sobre nossa raça. Também não rolou uma sessão de tortura. Nem um ataque epilético. O que aconteceu lá dentro foi muito pior.

As até então amigáveis velhinhas gringas acompanhadas de sua tradutora e dos já citados filhotes humanos nos distribuíram panfletinhos nos quais constavam coisas muito estranhas e suspeitas, e comaçou a tensão. Mandaram alguém filmar. E nos estregaram a temida………………………………………………………..

PULSEIRA DA PUREZA!!1

E começaram a fazer um discurso sobre pureza, que eu vou resumir da seguinte forma:

Porra, mano! Eu tô lá, quietinha no meu canto, cumprindo com mérito (ou não) minhas responsabilidades como estudantes, e aí me chega um par de velhas americanas from Flórida que adoram o frio e tem uma tradutora loirosa e querem me passar uma tremenda lição de moral sobre como a pureza vem da mente, da boca e de mais alguma coisa que eu não me lembro porque acabou me levando ao COCHILO? Não que eu me queixe de ter recuperado meu sono perdido, mas ainda assim, não pago a escola para eles me mandarem sentar em uma cadeira de plástico dessas de churrasco de pobre que ACHATAM as nádegas e escutar por SETENTA MINUTOS uma velha falando que eu tenho que morrer virgem! Pior, ter que aturar uma velha sendo interpretada por uma mulher de sotaque deveras engraçado que me impedia de conter o riso e que tinha uma criança que não parou de chorar UM MINUTO. Eu podia escutar os berros dela até quando a senhora desocupada levou ela dar uma voltinha com a mamadeira pra se acalmar.

Não que ela não fosse totalmente fofa. A criancinha, quero dizer. Era completamente nhac.

Ainda assim. Não estou criticando (muito) o trabalho da mulher. O que eu quero dizer é que não acho uma coisa lá muito interessante duas velhas virem me dar uma palestra sobre como eu devo ser, ou como devo agir, ou como devo pensar, e que Jesus chora quando uma menina veste roupas curtas de verão e os homens sentem desejo. Acho que cada um tem sua visão sobre as coisas, o que leva a formar sua crença e ETECETERA E TAL, e, se nós não temos religião na minha escola, é justamente porque não queremos velhas moralistas e religiosas que querem formar opiniões a todo custo e precisam de tradutoras loirosas que tem filhas com uma garganta de aço.

Até porque, eu garanto que elas pesquisaram no GOOGLE a maneira mais chata possível de dar aquela palestra repetitiva e cheia de histórias de vida e palavras como “pecaminoso” (ver: pecado, derivados do). E ainda por cima distribuir pra todo mundo as tais das pulseiras da pureza que até agora eu não entendi pra que serve porque eu estava BABANDO no meu próprio ombro. De qualquer forma, aqui está o grande brinde:

Não me pede detalhes, mas se eu não me engano, a cor azul tinha a ver com o batismo. Eu ainda acho que é uma pulseira do secso disfarçada, e cada uma daquelas bolinhas coloridas corresponde a uma brincadeira sexual que corrompe a pureza. E, desculpem, não estou a fim de mostrar minha cara por enquanto. Minha franja tá PUNK. Fica pruma próxima.

Conclusões finais: prefiro ter aulas. NUNCA ACHEI QUE ALGUM DIA EU FOSSE FALAR ISSO. Mas aconteceu. 2012 está próximo.

E, alguém por favor me responda, nos comentários, se é seguro sair com essa pulseirinha pelas ruas ou se eu corro o risco de ser assediada por um estranho magalomaníaco (o que é megalomaníaco?), porque pode não haver tanta pureza assim nessa cordinha com miçangas. Sabem como é, leitores. Ultimamente, pulseiras andam estuprando pessoas.

Um beijo e um cheddar.

Off: PORRA ITÁLIA, COMO ASSIM FOI ELIMINADA DA COPA? AGORA FIQUEI HUMILHADA DIANTE DOS MEUS LEITORES, SUA FEIOSA.

Um beijo pras vovós gazelas

junho 21, 2010

Eu juro que acho que, se eu tivesse um pouco menos de preguiça e me dedicasse a escrever mais vezes, eu teria um número quantificável de leitores ativos. Mas como eu abandono essa joça por um mês pra depois aparecer divagando sobre leitores ativos, eu acho que eu fundo eu devo………………………..

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOI, COMO VÃO VOCÊS?

Deixando toda a babaquice emocional que envolve meus leitores ativos, eu fiquei uns três quartos de século jupteriano ausente desse blog, mas agora estou de volta, arriba.

E não sei o que escrever.

Mentira, sei sim. Na verdade, queridos leitores ativos – ignorem o duplo sentido ou pensamento malicioso que isso evoca – eu ia escrever sobre as dificuldades de sobrevivência nesse clima frio que tem nos surpreendido ultimamente  – como, por exemplo, o terror de abandonar o cobertor quentinho e pular para a imensidão gelada da segunda-feira de manhã. Mas aí, eu me lembrei que estamos todos em clima de Copa do Mundo e por isso ninguém vai ler isso aqui porque vai estar ocupada olhando o jogo e aí eu pensei: “oh! Que belo dia para fazer um post sobre futebol”.

Como todos os meus leitores ativos – juro que vou parar de usar essa expressão – sabem, eu sou um lagarto alienígena que não pertence a esse mundo, digo, uma brasileira que não gosta de futebol. Mais do que isso: eu sou anti-futebol. Bom. De qualquer forma, eu nunca quis ser brasileira mesmo. Preferia ter nascido um CANGURU na AUSTRÁLIA, porque, pelo menos, eu ia morar em um país desenvolvido e PORRA, EU ADORO CANGURUS, VAI DIZER QUE ELES NÃO SÃO A COISA MAIS LINDA DO MUNDO COM AQUELAS PATAS GRANDES E BOLSAS NA BARRIGA E

Mais alguém além de mim reparou como, DO NADA, as pessoas passaram a idolatrar o Brasil? Claro, exceto os mórbidos brasileiros que estão torcendo pela Argentina, o que eu acho uma puta falta de sacanagem, já que é claro que todo mundo deveria torcer para a Itália. De qualquer forma, ultimamente, é só sair na rua pra ver milhares de carros com a banderinha do Brasil pendurada nas janelas, vidros cheios de adesivos “BRASIL É HEXA!!1”, toalhas velhas bandeiras puídas penduradas em janelas, camisetas do Brasil desfilando pela rua, mulheres morrendo pelo Kaká, crianças com o nome de Robinho, cachorros com o boné (sim, eu disse BONÉ) do Brasil, peixes ornamentais verdes e amarelos, etc. Muito meigo, não? Eu sei. Mais meigo ainda saber que os brasileiros só são patriotas em época de Copa. Quando o Brasil caga fora do penico ou essa baboseira Copa acaba, todo mundo entra na minha vibe, arranca as bandeirinhas do carro, come as camisetas e sai por aí berrando aos seis cinco quatro ventos: PORRA DE PAÍS.

Eu só quero deixar bem claro que o “entrar na minha vibe” se refere à parte de gritar “porra de país”, e não à comer as camisetas, até porque, elas tem um gosto péssimo e eu prefiro bolachas de polvilho.

E falar em gritar, eu me lembrei de outro fato importantíssimo que eu não poderia deixar de citar: AS VUVUZELAS. De preferência as listradinhas de verde e amarelo.

Pra começar, olha só o nome dessa bustrica bagulho pra chamar vacas que eu esqueci o nome corneta destrambelhada: VUVUZELA. Pelo amor de dadá, até eu, na minha santa LERDEZA, consigo bolar um nome melhor. Tipo, hm, corneta destrambelhada.  De qualquer forma, sempre que eu escuto esse nome, eu associo à VOVÓ GAZELA, e daí eu começo a imaginar a minha vó com uns chifres espiralados na cabeça saltitando pelos campos primaveris do Jordão. Ah sim. Eu esqueci de acrescentar que os chifres em questão são DEVIDAMENTE listrados de verde com amarelo.

Se bem que o barulho que essas porcarias fazem mais parece um alce do que uma gazela.

E eu acabei de lembrar que o nome do negócio pra chamar vacas é BERRANTE.

O que não é muito diferente de uma vovó gazela vuvuzela.

O som continua parecendo o de um alce sendo estuprado.

Claro que a Copa também pode ser divertida. E instrutiva. Todo mundo se diverte xingando o Dunga. E as crianças aprendem a fazer isso bem cedo também. Ah, união dos povos, diversidade cultural, todo mundo junto dando a mão e trocando camisas suadas e fedidas? Pff. Quem precisa disso? Vamos meter a boca no árbitro que é mais divertido.

Façam suas apostas, leitores ativos. Vão em frente e se matem discutindo para decidir quem vai levar a taça esse ano, mas isso não adianta porcaria nenhuma, porque eu já sei que é a Itália que vai ganhar e vocês são todos losers, haha. E não esqueçam de colocar um chifre espiralado verde e amarelo na cabeça da sua avó pra ela poder comemorar também. Pode até pintar umas estrelinhas azuis nele.

Um viva pras vovós gazelas Itália união dos povos mim nações coloridas de uniforme colado.

Beijo e queijo, tchau.

Vou sumir por mais um mês, kakak.